O casamento foi lindo. Já imaginava um dia em família, com muita gargalhada e união à mistura. Calculava que os primos (quando nos juntamos ninguém nos pára) fossem criar momentos de risota e diversão, mas não imaginava que íamos dominar a festa. Sabia que ia chorar, mas não sabia que ia ficar engasgada até hoje. Imaginei que iríamos chocar a família do noivo, mas o ambiente foi incrível.
Superou todas as expectativas e estou tão feliz pela P., a única prima direita que tenho, que era a rebelde da família, a assentar e a sentir-se harmonizada e feliz. Já na despedida de solteira nos tinha confidenciado que desta vez está a gostar de tirar o curso superior (desistiu por duas vezes, de dois cursos) e, depois do stresse de organizar o casamento pôde finalmente gozar o momento. E como gozou! Dançou até não poder mais, bebeu até aguentar, e teve uma energia imparável. Disse a todos o quanto gostava deles, inclusive a pessoas que nunca tinha visto antes, e, claro, naqueles momentos em que pudémos estar a sós, falou-me da minha mãe e do quanto gosta de nós. E eu pude também dizer-lhe o quão especial ela é. Enfim, mariquices que o álcool traz à superfície e que se não dizemos, rebentamos.
Até o meu homem estava imparável! Dançou até ficar com os pés doídos (os meus ficaram absurdamente massacrados com o sapatinho, tanto que passei metade do tempo descalça, com as meias todas rotas), puxou-me para coreografias, ensandeceu com os meus dois primos mais velhos, e acompanhou a noiva nos passos de dança mais loucos. Conversámos enquanto fumávamos cigarrilhas e charutos, e rimos até à exaustão. Tirei fotos sem cabimento algum, e não encomendei nenhuma foto oficial (terei de tratar disto). Perdi o partir do bolo, mas cheguei a tempo de comer meia fatia e de brindar com os meus. Depois veio um vídeo que nos fez chorar primeiro, e chorar a rir depois. A minha tia, de pé partido e de muletas ainda deu uns passinhos de dança ao pé-coxinho que pareciam a dança da chuva.
O dia acabou cedo, mas tinha começado muito cedo também. E mesmo assim fomos dos últimos. Regressámos estafados e cheios de frio, mas felizes e animados.
Não mudava uma vírgula, foi perfeito. E com este se encerra o capítulo dos casamentos, pelo menos deste ano (que foram três!). Chave de ouro, mesmo!