Os que me seguem há algum tempo já devem ter reparado na quantidade de posts intitulados "away" ou coisa parecida. A verdade é que me sinto desligada e desconetada da blogosfera, do fluxo constante de informação e inspiração.
Esta semana passei um dia inteiro com dores no peito, a que depois de uma rápida troca de ideias com os meus colegas, percebi ser ansiedade. E se pensar bem faz todo o sentido. O meu trabalho absorve imenso da minha vida, é exigente, constantemente stressante, sonho com situações profissionais, com pessoas a pedirem-me isto ou aquilo, que sou despedida, mas a verdade é que sei estar a fazer um bom trabalho, faço o melhor que sei, as pessoas a quem despacho peças promocionais à velocidade da luz agradecem-me e elogiam-me e sei que estão satisfeitos comigos. Mas sou só uma e há muita coisa para fazer. E não consigo criar uma continuidade, não consigo ainda controlar tudo.
Apesar de tudo, até estou satisfeita, não tem sido um desafio fácil, mas já lá vão seis meses e uns trocos e sinto que aprendi muito mesmo. Sobre como trabalhar numa empresa grande, como trabalhar numa estrutura mais institucionalizada (em vez das agências), aprendi muito sobre a minha capacidade de trabalho e concentração, e muito sobre mim mesma, sobre aprender a criar raízes, aprender a não desdenhar as oportunidades e de como por vezes as obrigações podem abrir portas a toda uma nova realidade.
Mas a verdade é que isto está a ter consequências que me preocupam. Nunca estou completamente desligada, e preciso de me começar a deixar dispersar por outras coisas, outras tarefas que me agradam e para as quais nunca pareço ter tempo. Este fim-de-semana foi todo ele dedicado à casa e à culinária, em conjunto com o meu moço: fomos a pé até à mercearia, compramos muita fruta e legumes, comprei roupa inesperadamente (o P. tem um olho do caraças para a roupa, ia-me desgraçando à conta dele), fomos às Amoreiras aproveitar os saldos e artilhámos mais a nossa casa para futuros jantares e almoços com amigos, fomos ao CCB ver a exposição de Vik Muniz e os cartazes de guerra e saímos de lá com a barriga cheia de atividades (e a carteira mais vazia de tanta compra). Chegámos a casa, desfizémos a árvore de Natal, arrumámos os tarecos novos e fizemos uma mega-pizza ao jantar, que comemos deliciados com um copinho de vinho, vimos o Taxi Driver e adormecemos no sofá. Hoje saímos mais cedo e aproveitámos o paredão de S. Pedro antes de irmos almoçar com a minha sogra, o P. encontrou-se com um amigo à tarde e eu fui arrumar o meu roupeiro (entra roupa nova, tem de sair velha). Agora estou aqui no sofá, a fazer uma curta pausa e a ver o Homem da máscara de ferro (é lame, eu sei), até me dar vontade de folhear as revistas que comprei esta semana, pegar novamente nas aguarelas, e sonhar que vou começar a cumprir projectos e objectivos. E, claro, parte de mim já está a entrar em alvoroço porque amanhã começa nova semana. Tenho mesmo de me aprender a desligar.
Alguém tem sugestões para tornar isto possível?
2 comments:
Se eu soubesse o segredo de "desligar".... a ansiedade é mesmo tramada, e quando julgamos que a temos domada ela vem de mansinho e toma conta de nos outra vez (falo por mim) mas acho que é possivel andarmos mais calmos, mais ligados com a nossa energia interior, mas nao é facil :-) beijinhos
Não há uma fórmula mágica, não é? A semana que passou fui 3 vezes ao ginásio e acho que está a ajudar. É continuar a procurar o que melhor funciona para mim. E tenho imensas saudades de voltar a meditar...
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